Fiz o teatro. Mais uma noite e todos tem a certeza que eu estou bem. Uma pizza e algumas cervejas são necessárias. Talvez um banho de chuva. Nua. Sentindo as gotas geladas na minha pele, uma vez quente. Talvez um cigarro. Talvez um “boa noite”. Talvez um sorriso e pílulas da felicidade gritando socorro em meu estômago alcoólico.
É o que me resta. É assim. É normal. 

Tranque a porta, esqueça a chave.

Seu vestido, preso ao seu corpo apenas pela cintura, seus músculos convulsos e pulmões a todo gás (vazios) denunciavam toda tristeza, odio, desejo… ansiedade.
Denunciavam tudo que sentia, e voltava a si depois do transe sem saber onde se encontrava. Se havia se perdido ou se era apenas a união.

Neste fluxo, o pequeno quarto se tornava demasiadamente grande, não cabia em si.A fronteira entre ser e objeto se fazia tênue, derretia, e escapava pelas beiradas, retornando ao início. Nada deve ser explicado, tudo deve ter uma explicação. Palavras simples, letras à flor da pele. 

Passado vivo e presente. Tudo acontece rápido. 

Amanhece, é só mais um dia (ou um a menos?) 

Pálpebras relutam em seu farfalhar. 

Pés, mãos, tremores, calor. 

Água, por favor! e algumas gotas calmas. 

De terceira a primeira, sou todas as pessoas do meu ser.